Nova regra de isenção de ICMS impulsiona logística sustentável e mais eficiente no Brasil
A isenção de ICMS logística reduz custos nas transferências entre filiais, estimula rotas mais eficientes e impulsiona práticas sustentáveis.
A isenção de ICMS logística reduz custos nas transferências entre filiais, estimula rotas mais eficientes e impulsiona práticas sustentáveis.

À medida que o varejo se digitaliza e os consumidores exigem entregas cada vez mais rápidas, a pressão sobre os sistemas de intralogística chega a níveis críticos. Responsável pela movimentação interna de materiais em armazéns, centros de distribuição e fábricas, o setor ainda enfrenta desafios estruturais que limitam a produtividade e elevam os custos operacionais no Brasil.
Em grande parte dos centros de distribuição, a falta de padronização e a dependência de processos manuais dificultam a rastreabilidade das mercadorias e aumentam a taxa de erros. Essa limitação torna as operações menos escaláveis, sobretudo em períodos de alta demanda.
Estudos do MIT Center for Transportation & Logistics apontam que a baixa maturidade digital é um dos principais entraves à eficiência operacional, especialmente em economias em desenvolvimento.
A escassez de operadores treinados é outro desafio persistente para a intralogística nacional. Segundo a DHL, desde a pandemia, o setor vive uma crise global de mão de obra nas operações de linha de frente — como armazenagem, separação de pedidos e movimentação interna.
Além disso, a alta rotatividade impõe às empresas custos contínuos de treinamento, comprometendo a padronização e o desempenho das operações.
Embora o uso de tecnologias como WMS (Warehouse Management System) e TMS (Transportation Management System) tenha avançado, muitas empresas ainda enfrentam falhas de integração entre plataformas.
A falta de interoperabilidade prejudica o acompanhamento em tempo real e dificulta decisões baseadas em dados.
De acordo com o relatório Top 10 Supply Chain Trends in 2024, da Association for Supply Chain Management (ASCM), ferramentas de analytics, big data e inteligência artificial estão entre as principais prioridades globais para a modernização da cadeia de suprimentos.
O uso de empilhadeiras antigas, sem sistemas de controle modernos, mantém elevado o risco de acidentes. Dados da OSHA (Occupational Safety and Health Administration) indicam entre 35 mil e 62 mil ferimentos graves e mais de 80 mortes anuais nos Estados Unidos, relacionadas ao uso desses equipamentos.
No Brasil, a NR-11 estabelece regras para transporte e armazenagem de materiais, mas a aplicação da norma ainda é desigual.
A agenda ESG também pressiona o setor a adotar práticas mais sustentáveis. A substituição de empilhadeiras a combustão por modelos elétricos vem crescendo, mas no Brasil o custo inicial e a falta de infraestrutura de recarga ainda são barreiras.
A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que a eletrificação logística será um pilar da transição energética global. O relatório de 2024 da agência estima a necessidade de 25 milhões de km de novas linhas de transmissão e 1.500 GW de capacidade de armazenamento, fatores que influenciam diretamente os investimentos logísticos.
Apesar dos desafios, empresas que já adotam empilhadeiras elétricas com telemetria, sistemas de separação por voz (voice picking) e sensores de desempenho registram ganhos expressivos em produtividade e segurança.
A combinação entre automação, análise preditiva e requalificação profissional tende a moldar o futuro da intralogística nas próximas décadas — um movimento essencial para sustentar a competitividade do varejo digital brasileiro.