Speedbird capta R$ 30 milhões com iFood e mira expansão de drones para São Paulo
Speedbird Aero levanta R$ 30 milhões liderados pelo iFood para expandir operações com drones certificados e mira região metropolitana de São Paulo.
Speedbird Aero levanta R$ 30 milhões liderados pelo iFood para expandir operações com drones certificados e mira região metropolitana de São Paulo.

São Paulo (SP) — A Speedbird Aero levantou US$ 5,8 milhões (R$ 30,2 milhões) em rodada liderada pelo iFood e outros seis fundos de investimento. A startup de logística aérea pretende usar os recursos para expandir operações com drones certificados, conquistar novas homologações e implementar rotas sob negociação — incluindo a região metropolitana de São Paulo.
O aporte funciona como investimento-ponte que prepara a companhia para rodada Série B prevista até o fim de 2026. A Speedbird já havia captado R$ 35 milhões na Série A em 2022 e conta com iFood e Embraer (via fundo MSW) como investidores.
A Speedbird mantém 35 drones em operação e atende clientes como iFood, Vale, Petrobras e Grupo Fleury. No caso do delivery de alimentos, a parceria com o iFood existe desde 2019 em Aracaju (SE), onde drones conectam restaurantes do Shopping RioMar a condomínios na Barra dos Coqueiros atravessando o rio Sergipe.
De outubro de 2025 a fevereiro de 2026, dois drones realizaram duas mil entregas nessa rota, com tempo médio de 30 minutos entre pedido e entrega no endereço do consumidor. Na Vale, drones transportam amostras de minério para laboratórios em Carajás (PA). No Grupo Fleury, a operação cobre transporte de amostras de exames em Salvador (BA) e Belo Horizonte (MG).
"Os recursos vão ajudar a expandir operações, conseguir certificações e implementar rotas que já estão sob estudo e negociação", afirmou Manoel Coelho, CEO da Speedbird.
A estratégia da Speedbird se diferencia de demonstrações pontuais ao operar exclusivamente com certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Desde 2017, o RBAC 94 permite operações BVLOS (Beyond Visual Line of Sight) — voos além da linha de visada do piloto, essenciais para rotas logísticas estruturadas.
"Você vê gente colocando um drone pequeno para levar cerveja ou sushi na varanda. Isso não é drone delivery, não é logística com drone. A gente só concebe o transporte como algo sério quando a aeronave é certificada pela Anac e pode ser operada de qualquer lugar do Brasil", destacou Coelho.
A empresa evita tratar drones como experimento de inovação ou ação promocional. Para Coelho, só há transporte quando existe certificação aeronáutica, processos estruturados e possibilidade de operação contínua.
Com os novos recursos, a Speedbird planeja replicar o modelo operacional de Aracaju na região metropolitana de São Paulo. "Se a gente consegue fazer em São Paulo, consegue replicar em qualquer lugar do mundo", afirmou o CEO.
Além do Brasil, a companhia possui equipamentos em Portugal, Israel, Inglaterra e Itália. A expansão internacional está no radar, com planos de alcançar os Estados Unidos sob liderança de André Stein, ex-CEO da Eve Air Mobility.
O mercado global de entregas por drones deve movimentar US$ 18,65 bilhões até 2028, segundo projeções de mercado. No Brasil, o setor de delivery cresceu 7,5% em 2023, conforme o Instituto Foodservice Brasil (IFB).
A rodada de R$ 30 milhões reforça a aposta em logística aérea certificada como alternativa estruturada para última milha em áreas urbanas — especialmente em rotas que enfrentam barreiras geográficas ou congestionamentos que tornam o transporte terrestre ineficiente.